Brasil lidera ranking mundial de reservas de nióbio com 98% do total
Brasil mantém posição dominante no mercado global de nióbio, mineral estratégico para indústrias de alta tecnologia, aeroespacial e transição energética, com produção concentrada em Minas Gerais e Goiás.

O Brasil detém aproximadamente 98% das reservas mundiais de nióbio, consolidando sua posição como líder absoluto na produção deste mineral estratégico. O nióbio é essencial para indústrias de alta tecnologia, incluindo fabricação de turbinas de aviação, superligas, implantes médicos e componentes para energia renovável.
As principais jazidas estão localizadas em Araxá (MG) e Catalão (GO), operadas respectivamente pela CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração) e CMOC International. A CBMM sozinha responde por cerca de 75% da produção mundial, com vendas anuais superiores a US$ 2 bilhões.
Segundo dados do USGS (United States Geological Survey), a produção brasileira de nióbio em 2024 atingiu 110 mil toneladas, representando mais de 90% da oferta global. A demanda mundial tem crescido cerca de 4-5% ao ano, impulsionada principalmente pela indústria automotiva (uso em aços especiais para redução de peso) e pelo setor de energias renováveis.
O preço do óxido de nióbio (pentóxido de nióbio) manteve-se estável em 2024, oscilando entre US$ 43-47 por quilograma. Especialistas projetam aumento na demanda até 2030, especialmente devido à transição energética e à necessidade de materiais mais leves e resistentes para veículos elétricos e infraestrutura de energia eólica.
A CBMM anunciou investimentos de R$ 4,5 bilhões até 2027 para expansão da capacidade produtiva e desenvolvimento de novas aplicações do nióbio, incluindo baterias de lítio-nióbio para veículos elétricos, que prometem recarga 10 vezes mais rápida que baterias convencionais de íon-lítio.
O governo brasileiro reconhece o nióbio como mineral estratégico, e o Ministério de Minas e Energia incluiu o elemento na lista de minerais críticos para segurança nacional. Políticas de valorização da cadeia produtiva buscam incentivar não apenas a extração, mas também a industrialização e desenvolvimento de produtos de alto valor agregado no país.
Especialistas alertam para a importância de diversificação do mercado consumidor e agregação de valor à produção nacional. Atualmente, cerca de 85% da produção brasileira é exportada na forma de liga ferro-nióbio (FeNb), matéria-prima para siderúrgicas. A meta é expandir a fabricação de produtos finais em território nacional, gerando mais empregos qualificados e retenção de valor econômico.