Preços de Commodities Minerais
há 10 meses
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Cobre bate recordes de preço e impulsiona projetos no Brasil

Preço do cobre ultrapassa US$ 10.500/tonelada impulsionado por demanda de eletrificação e energias renováveis, viabilizando novos projetos de mineração no Brasil com investimentos de US$ 4 bilhões.

Cobre bate recordes de preço e impulsiona projetos no Brasil

O cobre atingiu US$ 10.500 por tonelada na London Metal Exchange (LME) em março de 2025, nível recorde que não era visto desde 2022. A valorização de 35% em 12 meses é impulsionada por demanda crescente de eletrificação global, veículos elétricos e infraestrutura de energias renováveis, enquanto oferta permanece limitada.

DEMANDA ESTRUTURAL

O cobre é fundamental para transição energética:

VEÍCULO ELÉTRICO:

- Veículo a combustão: 20-25 kg de cobre

- Veículo elétrico: 80-85 kg de cobre

- Crescimento de vendas de VEs de 14 milhões em 2024 para projetados 30 milhões em 2030

- Demanda adicional de cobre: 2 milhões de toneladas/ano

ENERGIA RENOVÁVEL:

- Turbina eólica offshore (15 MW): 30 toneladas de cobre

- Usina solar (1 GW): 4.000-5.000 toneladas de cobre

- Expansão global de renováveis: +400 GW/ano até 2030

- Demanda adicional: 1,5 milhão t/ano

INFRAESTRUTURA DE RECARGA:

- Estação de recarga rápida: 100-150 kg de cobre

- Meta global: 15 milhões de pontos de recarga até 2030

- Demanda: 1,5 milhão de toneladas cumulativas

PRODUÇÃO GLOBAL

Oferta mundial em 2024: 27,5 milhões de toneladas

Principais produtores:

1. Chile - 5,2 milhões t (19%)

2. Peru - 2,8 milhões t (10%)

3. China - 2,0 milhões t (7%)

4. Congo (DRC) - 1,9 milhões t (7%)

5. USA - 1,2 milhão t (4%)

Produção brasileira: 420 mil toneladas (1,5% mundial)

DÉFICIT ESTRUTURAL

Analistas projetam déficit crescente:

- 2025: déficit de 500 mil toneladas

- 2027: déficit de 1 milhão de toneladas

- 2030: déficit de 2,5 milhões de toneladas

Poucas minas novas entrando em operação devido a:

- Declínio de teores (de 1,2% nos anos 1990 para 0,6% hoje)

- Complexidade geológica crescente

- Projetos em locais remotos

- Longo ciclo de desenvolvimento (10-15 anos)

- Licenciamento ambiental mais rigoroso

- Oposição de comunidades

PROJETOS BRASILEIROS

O Brasil possui reservas de 14 milhões de toneladas de cobre, 2,5% das reservas mundiais. Preços elevados estão viabilizando projetos paralisados:

1. PROJETO SALOBO III (Vale - Pará)

- Investimento: US$ 1,3 bilhão

- Expansão de capacidade de 200 mil t/ano para 300 mil t/ano

- Inicio operação: 2027

- Vida útil adicional: 15 anos

- Tecnologia de flotação de alta recuperação

2. PROJETO CARAÍBA PILAR (Ero Copper - Bahia)

- Investimento: US$ 350 milhões

- Nova mina subterrânea em Pilar

- Produção: 45 mil t/ano de cobre

- Início: 2026

- VPL estimado: US$ 850 milhões

- TIR: 42%

3. PROJETO SANTA LUZ (Mineração Santa Luz - Bahia)

- Investimento: US$ 280 milhões

- Reabertura de mina fechada em 2008

- Produção: 18 mil t/ano

- Novas tecnologias de beneficiamento tornam projeto viável

- Início previsto: 2027

4. PROJETO PEDRA BRANCA (CMOC/Peixoto - Ceará)

- Investimento: US$ 420 milhões

- Exploração de cobre associado a ouro e tungstênio

- Produção: 30 mil t/ano de cobre

- 80 mil onças de ouro/ano

- Início: 2026

5. PROJETO CHAPADA (Lundin Mining - Goiás)

- Investimento: US$ 600 milhões em expansão

- Aumentar produção de 70 mil para 100 mil t/ano de cobre

- Prolongar vida útil em 10 anos

- Modernização de planta de beneficiamento

6. PROJETO CARAJÁS LESTE (Vale - Pará)

- Investimento: US$ 1,1 bilhão

- Nova mina de cobre próxima a Sossego

- Produção: 120 mil t/ano

- Início: 2028

- Exploração de depósito de óxido de cobre ferro (IOCG)

TOTAL DE INVESTIMENTOS: US$ 4,05 bilhões

PRODUÇÃO ADICIONAL: 413 mil t/ano até 2028

NOVA CAPACIDADE TOTAL DO BRASIL: 833 mil t/ano

DESAFIOS

Técnicos:

- Teores baixos (0,8-1,5% Cu) exigem processamento de grande volume

- Minérios complexos com múltiplos metais dificultam separação

- Algumas jazidas em locais remotos (Amazônia)

Ambientais:

- Licenciamento rigoroso, especialmente na Amazônia

- Gestão de grandes volumes de rejeitos

- Consumo significativo de água em regiões semiáridas (Bahia, Ceará)

- Necessidade de reflorestamento e compensação ambiental

Logísticos:

- Infraestrutura de transporte limitada

- Custo de frete até portos ou mercado interno

- Necessidade de construir/melhorar acessos

Econômicos:

- Alto custo de produção brasileiro (US$ 6.500-8.500/t vs. Chile US$ 5.000-6.000/t)

- Dependência de preços internacionais elevados

- Competição por mão de obra qualificada

PREVISÕES DE MERCADO

Institutos projetam preços do cobre:

WOOD MACKENZIE:

- 2025: US$ 9.800/t (média)

- 2026-2027: US$ 10.500/t

- 2028-2030: US$ 11.200/t

GOLDMAN SACHS:

- 2025: US$ 10.200/t

- 2027: US$ 12.000/t (déficit severo)

CITI:

- 2025: US$ 9.500/t

- 2030: US$ 11.500/t

Todos concordam: preços elevados são estruturais, não cíclicos.

OPORTUNIDADES PARA O BRASIL

1. INDUSTRIALIZAÇÃO: Produzir fio de cobre, tubos, chapas ao invés de exportar concentrado

2. MINERAIS ASSOCIADOS: Cobre brasileiro frequentemente contém ouro, prata, molibdênio - aumenta receitas

3. MERCADO INTERNO: Brasil importa 150 mil t/ano de cobre refinado - pode substituir importações

4. RECICLAGEM: Investir em reciclagem de sucata (circulação urbana)

5. PESQUISA: 60% do território brasileiro não mapeado geologicamente - alto potencial de novas descobertas

CONCLUSÃO

O superciclo do cobre impulsionado por transição energética oferece janela de oportunidade para o Brasil expandir produção e capturar valor dessa commodity crítica. Preços elevados tornam projetos antes inviáveis economicamente atrativos. Sucesso dependerá de equilibrar desenvolvimento econômico com sustentabilidade socioambiental.