Mercado de Minerais
há 10 meses
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Grafita natural brasileira é essencial para transição energética

Brasil é o terceiro maior produtor mundial de grafita natural, mineral crítico para ânodos de baterias de lítio. Empresas investem R$ 1,2 bilhão para expandir produção e atender demanda crescente de veículos elétricos.

Grafita natural brasileira é essencial para transição energética

A grafita natural, mineral discreto mas essencial, está ganhando protagonismo no cenário global devido a sua importância para baterias de lítio-íon. O Brasil, terceiro maior produtor mundial, está expandindo capacidade produtiva para atender demanda crescente impulsionada por veículos elétricos.

PRODUÇÃO BRASILEIRA

O Brasil produziu 95 mil toneladas de grafita em 2024, representando 5,8% da produção mundial. A produção está concentrada em:

- BAHIA (75%): Municípios de Maraú, Campo Formoso, Jacobina

- MINAS GERAIS (22%): Salto da Divisa, Grão Mogol

- CEARÁ (3%): Aratuba, Quixadá

Os maiores produtores nacionais:

1. Nacional de Grafite (Minas Gerais) - 42 mil t/ano

2. Grafita do Brasil (Bahia) - 28 mil t/ano

3. Imerys Graphite & Carbon (Ceará) - 15 mil t/ano

4. Brasil Grafite (Bahia) - 10 mil t/ano

IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA

A grafita é o componente mais pesado de baterias de lítio-íon, representando 50-55% da massa dos materiais ativos. Para produzir 1 kWh de bateria, são necessários aproximadamente 800-900 gramas de grafita purificada.

Veículo elétrico médio usa:

- 50-60 kg de grafita (bateria de 60 kWh)

- 8-10 kg de lítio

- 10-12 kg de cobalto

- 30-35 kg de níquel

A demanda global de grafita para baterias deve crescer de 500 mil toneladas em 2024 para 2,8 milhões de toneladas em 2030, taxa de crescimento de 33% ao ano.

MERCADO GLOBAL

Produção mundial em 2024:

1. China - 850 mil toneladas (52%)

2. Moçambique - 180 mil toneladas (11%)

3. Brasil - 95 mil toneladas (5,8%)

4. Madagascar - 50 mil toneladas (3%)

5. Índia - 45 mil toneladas (2,7%)

A China domina não apenas a produção, mas sobretudo o processamento. Cerca de 95% da grafita purificada para baterias é processada na China, criando dependência estratégica problemática para países ocidentais.

Preços em 2025:

- Grafita natural em flocos (+94% carbono): US$ 800-1.000/t

- Grafita em flocos grandes (+98% carbono): US$ 1.200-1.500/t

- Grafita esférica purificada (>99,95% C): US$ 4.500-6.000/t

A maior margem está no processamento avançado, etapa que o Brasil precisa desenvolver.

EXPANSÃO DA CAPACIDADE BRASILEIRA

Projetos de expansão totalizando R$ 1,2 bilhão:

1. NACIONAL DE GRAFITE - Investimento de R$ 450 milhões em Salto da Divisa (MG) para:

- Dobrar capacidade de produção para 85 mil t/ano até 2026

- Construir planta de esferização (grafita esférica para ânodos)

- Capacidade inicial de 15 mil t/ano de grafita esférica

- Parcerias com fabricantes de baterias na Europa e Ásia

2. GRAFITA DO BRASIL - R$ 380 milhões para:

- Expansão da mina de Pedra Branca (BA) em 40%

- Modernização de planta de beneficiamento

- Certificação para mercado de baterias

3. EAGLE GRAPHITE - Investimento de R$ 320 milhões em novo projeto em Maraú (BA):

- Capacidade de 50 mil t/ano de concentrado

- Produção prevista para iniciar em 2026

- Joint venture com grupo sul-coreano de baterias

DESAFIOS TECNOLÓGICOS

Transformar grafita natural em material para ânodos envolve etapas complexas:

1. Purificação - Elevação do carbono para >99,95% (processamento químico)

2. Esferização - Transformação de flocos em partículas esféricas (moagem)

3. Revestimento - Coating com carbono pirolítico (melhora performance)

4. Classificação - Separação por granulometria precisa

Essas tecnologias estão concentradas na China. Empresas brasileiras estão:

- Licenciando tecnologia de parceiros asiáticos

- Desenvolvendo processos próprios com universidades (UFRJ, UFMG)

- Atraindo engenheiros chineses para transferência de conhecimento

COMPETIÇÃO COM GRAFITA SINTÉTICA

Grafita sintética (produzida a partir de coque de petróleo) compete em aplicações de baterias. Vantagens:

- Controle de qualidade superior

- Propriedades mais consistentes

- Menor variação de lote para lote

Desvantagens:

- Custo 50-70% maior

- Pegada de carbono 5-8x superior

- Dependência de indústria petroquímica

Em 2024, mercado de ânodos era 60% grafita natural e 40% sintética. Tendência é crescimento da participação da natural devido a vantagens ambientais e custo.

OPORTUNIDADES ESG

O Brasil pode se diferenciar com grafita sustentável:

- Energia renovável no processamento (hidrelétrica vs. carvão chinês)

- Certificação de origem responsável

- Rastreabilidade via blockchain

- Menor pegada hídrica

Fabricantes europeus de veículos elétricos (VW, BMW, Renault) demonstraram interesse em grafita com certificação ESG, dispostos a pagar prêmio de 5-8%.

POLÍTICAS DE APOIO

O governo brasileiro incluiu grafita na lista de minerais críticos e estratégicos. Medidas de incentivo:

- BNDES: linha de crédito com juros subsidiados para projetos de processamento avançado

- EMBRAPII: R$ 80 milhões para P&D em materiais de bateria

- FINEP: edital de R$ 150 milhões para desenvolvimento de tecnologias de purificação

- Isenção de ICMS para grafita destinada a baterias (alguns estados)

PARCERIAS INTERNACIONAIS

EUA e União Europeia buscam parcerias com Brasil para reduzir dependência chinesa:

- Acordo EUA-Brasil para cooperação em minerais críticos (firmado em 2024)

- MoU com Comissão Europeia para desenvolvimento de cadeia de baterias

- Interesse de empresas japonesas e coreanas em projetos conjuntos

CONCLUSÃO

O Brasil tem vantagem competitiva em grafita natural devido a:

- Reservas abundantes (estimadas em 75 milhões de toneladas)

- Custos competitivos de produção

- Qualidade do minério (alto teor, baixos contaminantes)

- Energia limpa disponível

O grande desafio é desenvolver capacidade de processamento avançado. Se bem-sucedido, o país pode capturar valor significativo da cadeia de baterias, gerando empregos de alta qualificação e receitas de exportação.