Mineração sustentável: empresas investem em tecnologias limpas e redução de emissões
Setor mineral brasileiro acelera transição para práticas sustentáveis com investimentos de R$ 15 bilhões em tecnologias verdes, energias renováveis e recuperação de áreas degradadas até 2027.

O setor de mineração brasileiro está passando por transformação significativa em direção à sustentabilidade, com empresas investindo pesadamente em tecnologias limpas, energias renováveis e práticas de economia circular. Segundo levantamento do IBRAM, os investimentos em ESG (Environmental, Social and Governance) devem atingir R$ 15 bilhões até 2027.
A Vale, maior mineradora das Américas, anunciou meta de reduzir 33% das emissões de gases de efeito estufa (escopo 1 e 2) até 2030 e atingir neutralidade de carbono até 2050. A empresa está investindo R$ 6 bilhões em projetos de descarbonização, incluindo:
- Substituição de locomotivas diesel por elétricas na Estrada de Ferro Carajás
- Eletrificação da frota de caminhões de mina
- Uso de biodiesel B20 em equipamentos móveis
- Implementação de usinas solares para autoconsumo
- Desenvolvimento de tecnologia de pelotização com hidrogênio verde
A CSN Mineração investirá R$ 2,5 bilhões em sustentabilidade até 2028, focando em:
- Instalação de sistemas de filtragem de barragens para reaproveitamento de 95% da água
- Construção de parque eólico de 500 MW para alimentar operações
- Reflorestamento de 10 mil hectares em áreas degradadas
- Implementação de programa de biodiversidade com monitoramento de fauna e flora
A AngloGold Ashanti Brasil desenvolveu tecnologia pioneira de mineração subterrânea sem uso de cianeto, utilizando tiossulfato como agente lixiviante para extração de ouro. O processo reduz impacto ambiental em 60% comparado aos métodos tradicionais e está sendo implementado na mina de Cuiabá (MG).
O conceito de 'mineração circular' está ganhando força, com reaproveitamento de rejeitos de mineração. A Nexa Resources implementou projeto de recuperação de zinco e chumbo de pilhas de estéril em Três Marias (MG), transformando passivo ambiental em recurso produtivo. A iniciativa deve processar 2 milhões de toneladas de material ao longo de 10 anos.
Tecnologias digitais também contribuem para sustentabilidade:
- IA e machine learning para otimização de rotas e redução de consumo de combustível
- Sensores IoT para monitoramento em tempo real de qualidade da água e ar
- Drones para mapeamento preciso e redução de necessidade de desmatamento
- Blockchain para rastreabilidade da cadeia produtiva e certificação de origem responsável
A recuperação de áreas degradadas tornou-se prioridade. Em 2024, as mineradoras brasileiras recuperaram 12.500 hectares de áreas impactadas, plantando mais de 8 milhões de mudas nativas. A meta é recuperar 50 mil hectares até 2030.
O uso de energias renováveis cresceu 45% no setor em 2024. Atualmente, 38% da energia consumida pelas operações de mineração vem de fontes limpas (hidrelétrica, solar e eólica), e a projeção é atingir 65% até 2030.
Em relação à gestão de barragens, após o desastre de Brumadinho, o setor investiu R$ 28 bilhões em segurança, descaracterizando 30 barragens a montante e implementando sistemas de monitoramento 24/7 com inteligência artificial. Das 355 barragens de mineração no Brasil, 98% estão com declaração de estabilidade regularizada.
Certificações internacionais como IRMA (Initiative for Responsible Mining Assurance) e ASI (Aluminium Stewardship Initiative) estão sendo buscadas por mineradoras brasileiras para acessar mercados premium e atender exigências de investidores ESG.
Desafios permanecem: o custo das tecnologias verdes é alto, o retorno do investimento pode levar anos, e há necessidade de capacitação da força de trabalho. Porém, executivos entendem que sustentabilidade deixou de ser diferencial para tornar-se requisito básico de operação e acesso a financiamentos.