Nova regulamentação mineral busca agilizar licenciamento sem comprometer meio ambiente
Governo federal propõe novo marco regulatório da mineração para reduzir de 5 anos para 2 anos o tempo médio de licenciamento, mantendo rigor ambiental e ampliando participação social nas decisões.

O Ministério de Minas e Energia (MME), em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), apresentou proposta de modernização do marco regulatório da mineração brasileira, com objetivo de reduzir burocracia, agilizar licenciamento e fortalecer governança socioambiental. O projeto de lei será encaminhado ao Congresso Nacional em abril de 2025.
PRINCIPAIS MUDANÇAS PROPOSTAS:
1. LICENCIAMENTO AMBIENTAL INTEGRADO
- Criação de janela única digital para submissão de pedidos
- Unificação de procedimentos em nível federal, estadual e municipal
- Prazos máximos para análise de cada fase (6 meses para LP, 4 meses para LI, 3 meses para LO)
- Silêncio positivo para projetos de baixo impacto ambiental após prazo regulamentar
- Processo diferenciado para minerais críticos e estratégicos
Atualmente, o tempo médio entre requerimento e obtenção de licença de operação é de 5,2 anos. A meta é reduzir para 2 anos sem comprometer análise técnica.
2. REGIME DE AUTORIZAÇÃO DIFERENCIADO
Criação de 3 categorias:
- Baixo impacto (agregados, pequeno porte): autorização simplificada em até 6 meses
- Médio impacto: licenciamento ordinário com prazos definidos
- Alto impacto (grande porte, regiões sensíveis): licenciamento com audiências públicas obrigatórias
3. CONCESSÃO POR ÁREAS FECHADAS
Mudança do modelo de 'primeiro a chegar, primeiro a ser atendido' para leilões de áreas pré-definidas com potencial mineral comprovado pelo governo. Objetivo: reduzir litígios, aumentar arrecadação e atrair investimentos.
4. CFEM (COMPENSAÇÃO FINANCEIRA)
Ajustes na cobrança:
- Alíquotas diferenciadas por mineral e por volume de produção
- Minério de ferro: manutenção em 3,5% sobre faturamento líquido
- Ouro: redução de 1,5% para 1% para incentivar formalização
- Minerais críticos (lítio, terras raras): alíquota reduzida de 1% nos primeiros 5 anos de operação
- Agregados da construção civil: manutenção em 1%
5. SEGURANÇA DE BARRAGENS
Endurece normas:
- Proibição definitiva de barragens a montante
- Exigência de descaracterização de todas as barragens a montante até 2030
- Obrigatoriedade de sistemas de monitoramento automatizados 24/7
- Planos de emergência com evacuação simulada anualmente
- Seguro obrigatório cobrindo danos a terceiros
- Fundo garantidor para acidentes (0,5% do faturamento anual)
6. PARTICIPAÇÃO SOCIAL
- Consulta prévia obrigatória a comunidades tradicionais e indígenas (Convenção 169 OIT)
- Audiências públicas digitais ampliadas
- Fundo de desenvolvimento comunitário (1% do faturamento aplicado em projetos locais)
- Comitês de acompanhamento com representantes da sociedade civil
7. PESQUISA MINERAL
- Redução do prazo máximo de pesquisa de 3 anos para 2 anos, prorrogável uma vez
- Exigência de relatório anual de progresso
- Caducidade automática de títulos paralisados por mais de 1 ano
- Criação de banco público de dados geológicos para pequenas empresas
8. FECHAMENTO DE MINA
- Plano de fechamento obrigatório desde fase de viabilidade
- Provisão financeira gradual ao longo da vida da mina
- Monitoramento pós-operacional por no mínimo 10 anos
- Recuperação ambiental progressiva (áreas lavradas devem ser recuperadas continuamente)
REAÇÕES DO SETOR
O IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração) manifestou apoio à proposta, destacando:
'A modernização regulatória era urgente. O Brasil perdeu investimentos de US$ 15 bilhões na última década devido a insegurança jurídica e morosidade. As mudanças propostas equilibram agilidade com responsabilidade socioambiental.'
Pontos elogiados:
- Previsibilidade de prazos
- Clareza de competências entre órgãos
- Incentivos a minerais estratégicos
- Digitalização de processos
Preocupações:
- Aumento de custos com seguros e fundos garantidores
- Complexidade adicional de consultas a comunidades
- Possível judicialização de decisões sobre áreas indígenas
AMBIENTALISTAS E SOCIEDADE CIVIL
ONGs ambientais apresentam visão dividida. Pontos positivos:
- Fortalecimento de normas de barragens
- Ampliação de participação social
- Planos de fechamento de mina
Críticas:
- Temem que prazos máximos comprometam qualidade de análise técnica
- Preocupação com 'silêncio positivo' para projetos de baixo impacto
- Questionam se recursos humanos e orçamentários de órgãos ambientais são suficientes
CONGRESSO NACIONAL
A proposta terá que superar desafios no Legislativo:
- Lobby de setores contrários a mudanças
- Disputas federativas sobre competências
- Pressão de ambientalistas por mais rigor
- Interesses de estados mineradores
A expectativa é que o projeto seja apreciado ao longo de 2025, com votação no primeiro semestre de 2026.