Potencial de terras raras no Brasil atrai investidores internacionais
Jazidas de terras raras descobertas em Goiás e Amazonas colocam o Brasil como potencial fornecedor alternativo à China, atraindo investimentos bilionários para exploração de elementos essenciais à tecnologia moderna.

O Brasil está emergindo como potencial player importante no mercado global de terras raras, grupo de 17 elementos químicos essenciais para fabricação de smartphones, veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares de alta tecnologia. Novas descobertas em Goiás e Amazonas têm atraído atenção de investidores internacionais buscando alternativas ao domínio chinês.
A Serra Verde Mineração, com operações em Minaçu (GO), está desenvolvendo o que pode se tornar uma das maiores minas de terras raras fora da China. A empresa planeja investir US$ 650 milhões até 2027 para atingir capacidade de produção de 5.000 toneladas/ano de óxidos de terras raras, posicionando o Brasil entre os 5 maiores produtores mundiais.
Em Pitinga (AM), a Mineração Taboca identificou reservas significativas de terras raras associadas a depósitos de estanho e nióbio. Estudos preliminares indicam potencial de produção de 3.000 toneladas/ano, com investimentos estimados em US$ 400 milhões. A localização na Amazônia exige protocolos ambientais rigorosos, e a empresa está desenvolvendo tecnologias de extração de baixo impacto.
Atualmente, a China controla cerca de 85% da produção mundial de terras raras e domina mais de 90% da capacidade de processamento e refino. Essa concentração tem gerado preocupações geopolíticas, especialmente após a China ter restringido exportações em conflitos comerciais passados.
Os Estados Unidos, União Europeia e Japão demonstraram interesse em estabelecer parcerias com o Brasil para diversificação da cadeia de suprimentos. Em janeiro de 2025, uma delegação do Departamento de Defesa dos EUA visitou jazidas brasileiras para avaliar possibilidades de cooperação técnica e financeira.
Segundo o DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), o Brasil possui reservas estimadas de 22 milhões de toneladas de óxidos de terras raras, concentradas principalmente em Goiás, Amazonas, Ceará e Minas Gerais. Esse volume representa cerca de 5% das reservas mundiais conhecidas.
Os preços das terras raras variaram significativamente em 2024. O neodímio, usado em ímãs permanentes para motores elétricos, oscilou entre US$ 65-85 por quilograma. O disprósio, essencial para turbinas eólicas de alta performance, manteve-se na faixa de US$ 350-420 por quilograma.
O grande desafio para o Brasil não está apenas na extração, mas no domínio das tecnologias de separação e processamento, que são complexas e exigem conhecimento especializado. A China desenvolveu essas capacidades ao longo de décadas com investimentos massivos em pesquisa e desenvolvimento.
O governo federal criou o Programa Nacional de Terras Raras, com orçamento de R$ 800 milhões para o período 2025-2028, focando em:
1. Mapeamento geológico de áreas potenciais
2. Desenvolvimento de tecnologias nacionais de processamento
3. Capacitação de recursos humanos especializados
4. Atração de investimentos privados com incentivos fiscais
5. Estabelecimento de parcerias internacionais estratégicas
Especialistas projetam que o Brasil pode atingir 8-10% do mercado global de terras raras até 2030, gerando receitas anuais superiores a US$ 3 bilhões e criando milhares de empregos de alta qualificação. No entanto, isso dependerá de superação de desafios logísticos, ambientais e tecnológicos.