Preço do minério de ferro oscila com incertezas no mercado chinês
Cotação do minério de ferro registra volatilidade em 2025, oscilando entre US$ 95-115 por tonelada, refletindo incertezas sobre demanda chinesa e políticas de estímulo do governo em Pequim.
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O preço do minério de ferro, principal commodity de exportação do Brasil, tem registrado volatilidade significativa no primeiro trimestre de 2025, reflexo de incertezas sobre a demanda chinesa e efetividade das políticas de estímulo econômico implementadas pelo governo de Pequim.
Em março de 2025, o minério de ferro com 62% de ferro (referência CFR China) oscilou entre US$ 95-115 por tonelada, registrando movimentos diários de até 5%. Analistas atribuem a volatilidade a sinais contraditórios da economia chinesa, que consome cerca de 70% da produção mundial de minério.
Pontos de atenção no mercado:
1. SETOR IMOBILIÁRIO CHINÊS - Apesar de pacotes de estímulo totalizando US$ 500 bilhões anunciados pelo governo chinês, o setor imobiliário (responsável por 30% da demanda de aço) continua em crise. Vendas de novas residências caíram 18% em janeiro-fevereiro de 2025 comparado ao mesmo período de 2024.
2. PRODUÇÃO DE AÇO - Siderúrgicas chinesas reduziram margens devido a preços baixos do aço, levando alguns produtores a cortarem produção. A China produziu 78,5 milhões de toneladas de aço bruto em janeiro de 2025, queda de 3,2% vs. janeiro 2024.
3. ESTOQUES NOS PORTOS - Estoques de minério nos portos chineses atingiram 142 milhões de toneladas em fevereiro, nível considerado alto e pressionando preços para baixo. Siderúrgicas estão comprando apenas o necessário, evitando acumular inventário.
4. POLÍTICAS AMBIENTAIS - China reforçou controles ambientais, ordenando fechamento de siderúrgicas ineficientes e poluentes. Paradoxalmente, isso reduziu demanda de minério de baixo teor e aumentou demanda por minério premium (>65% Fe), beneficiando produtores brasileiros.
5. CONCORRÊNCIA DA AUSTRÁLIA - Austrália mantém posição de maior exportador (54% do mercado global) com custos de produção 20-30% inferiores aos do Brasil devido a proximidade geográfica da China. Mineradoras australianas como Rio Tinto e BHP expandiram produção em 2024.
IMPACTO NO BRASIL
A Vale, maior produtora mundial, projeta produção de 310-320 milhões de toneladas em 2025, mantendo estratégia de foco em minério premium. O 'prêmio brasileiro' (diferencial de preço do minério de alta qualidade vs. referência 62%) ampliou para US$ 15-18 por tonelada em 2025, comparado a US$ 10-12 em 2024.
A CSN Mineração, focada em minério de alto teor, tem mantido realização de preço 8-10% acima da média de mercado. A empresa projeta produção de 46 milhões de toneladas em 2025 e está menos exposta a oscilações de preço do minério padrão.
Pequenas e médias mineradoras brasileiras, com custos de produção entre US$ 50-70 por tonelada, enfrentam margens comprimidas quando o preço cai abaixo de US$ 100. Algumas operações marginais foram temporariamente suspensas em janeiro devido a preços baixos.
PROJEÇÕES PARA 2025-2026
Institutos de pesquisa apresentam projeções variadas:
- WOOD MACKENZIE: preço médio de US$ 100/t em 2025, com tendência de queda para US$ 95/t em 2026
- MORGAN STANLEY: US$ 105/t em 2025, US$ 102/t em 2026
- GOLDMAN SACHS: US$ 110/t em 2025, considerando estímulos adicionais na China
- ITAÚ BBA: US$ 108/t em 2025, US$ 98/t em 2026
Fatores que podem pressionar preços para cima:
- Estímulos fiscais massivos na China (infraestrutura)
- Problemas climáticos na Austrália (ciclones, inundações)
- Conflitos trabalhistas em grandes produtoras
- Crescimento de demanda na Índia e Sudeste Asiático
Fatores que podem pressionar preços para baixo:
- Recessão econômica global
- Expansão de capacidade produtiva (novos projetos na África)
- Aumento de reciclagem de sucata de aço na China
- Substituição tecnológica (redução direta com hidrogênio requer menos minério)
ESTRATÉGIAS DAS MINERADORAS
Em cenário de incerteza, empresas brasileiras adotam:
- Foco em controle de custos e eficiência operacional
- Priorização de minério premium para manter margens
- Diversificação de base de clientes (crescer vendas para Índia, Japão, Coreia)
- Flexibilidade operacional para ajustar produção rapidamente
- Hedge parcial de receitas via contratos de derivativos
Conclusão: O mercado de minério de ferro permanecerá volátil no curto prazo, com o setor imobiliário chinês sendo o principal fator a ser monitorado. Mineradoras brasileiras com custos competitivos e minério de qualidade superior estão melhor posicionadas para navegar o ambiente desafiador.